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O mendigo e o rei, a coroa pesada e a liberdade do Ser: Um Diálogo entre Schopenhauer e Jung

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A célebre frase de Arthur Schopenhauer, "um mendigo saudável é mais feliz que um rei doente", é um lembrete brutal sobre a natureza da felicidade. Para o filósofo, a nossa existência é movida por uma "Vontade" irracional que gera sofrimento contínuo. Neste cenário, a saúde não é apenas um detalhe, mas o alicerce fundamental da experiência humana. Todos os tesouros, poder e status do "rei" tornam-se irrelevantes se o veículo da nossa consciência — o corpo e a mente — estiver em agonia. A felicidade, portanto, é subjetiva e depende primariamente do nosso estado interno, e não de acúmulos externos.

Na perspectiva de Schopenhauer: A Subjetividade da Felicidade pois a vida oscila constantemente entre a dor e o tédio, impulsionada por uma força cega e irracional que ele chamou de "Vontade". Quando ele afirma que "um mendigo saudável é mais feliz que um rei doente", ele não está fazendo uma apologia à pobreza, mas sim estabelecendo uma hierarquia brutal de valores. Para o filósofo, a felicidade pertence ao sujeito, e não ao objeto. O "Rei" representa o ápice das conquistas objetivas — poder, status, riqueza —, mas tudo isso é externo. Se a estrutura interna (o corpo e a mente) que percebe o mundo estiver danificada pela doença, a realidade inteira se torna amarga. Schopenhauer nos ensina que 90% da nossa felicidade baseia-se unicamente na saúde; com ela, tudo pode ser fonte de prazer; sem ela, nenhum bem externo é desfrutável. O "mendigo saudável", portanto, possui o bem supremo: a capacidade fisiológica e mental de estar em paz consigo mesmo, livre da dor que sequestra a consciência.

Ao observarmos essa máxima sob a lente da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, a "doença do rei" ganha uma nova dimensão. Jung alertava para os perigos de nos identificarmos excessivamente com a Persona — a máscara social de sucesso e poder que usamos para o mundo exterior. Um "rei doente" pode ser visto como alguém que conquistou o mundo fora de si, mas perdeu a conexão com seu mundo interior, resultando em uma neurose profunda. O "mendigo", despido dessas máscaras sociais pesadas, pode estar, paradoxalmente, mais próximo de sua essência instintiva e de sua saúde psíquica.

Pela visão Junguiana: A Doença do Rei e a Persona trazendo essa máxima para a psicologia analítica de Carl Gustav Jung, o "Rei" torna-se uma metáfora perfeita para a inflação do ego e a identificação excessiva com a Persona. O rei doente é aquele indivíduo que conquistou o mundo exterior, mas sacrificou sua alma no processo. Ele vive sob a ditadura da imagem social, desconectado de seus instintos e de sua verdade interior. A "doença", na visão junguiana, muitas vezes surge como um grito da psique — uma neurose ou sintomatologia psicossomática — alertando que a unilateralidade da vida (viver apenas para fora) tornou-se insustentável. Já a figura do "mendigo", despido de títulos e máscaras pesadas, pode simbolizar um retorno ao essencial, uma proximidade maior com o Si-mesmo (Self), onde a energia psíquica não é desperdiçada na manutenção de ilusões, mas sim vivida em sua autenticidade.

Portanto, a conexão entre Schopenhauer e Jung nos ensina que a verdadeira saúde é a integração. Não adianta construir um império externo se o reino interior está em ruínas. A verdadeira riqueza, capaz de gerar contentamento, não reside na coroa que ostentamos, mas na vitalidade da nossa conexão entre o corpo e a totalidade da nossa psique. É preferível a simplicidade íntegra à majestade fragmentada.

Desta forma, O Corpo como Templo da Psique pois ao casarmos Schopenhauer e Jung, entendemos que a "saúde" não é apenas a ausência de enfermidade física, mas a integridade da experiência humana. Schopenhauer nos lembra que somos biologia e vontade; Jung nos lembra que somos símbolo e sentido. A verdadeira miséria humana é ser um "rei" no mundo das aparências e um escravo de complexos e dores no mundo interior. A felicidade genuína, portanto, reside na harmonia entre o que temos (ou aparentamos ser) e o que, de fato, somos. Um corpo saudável e uma mente integrada valem mais do que qualquer império, pois são a única lente através da qual podemos experimentar a beleza da vida.

Vale lembrar que O Caminho da Psicoterapia e a Individuação é um chamado para a integração de quem se é, na totalidade, e é neste cenário que a psicoterapia e a análise junguiana se tornam fundamentais. O processo terapêutico é a jornada de construção desse "Reino Interno". Não buscamos a saúde perfeita inatingível, mas a saúde integrada: a capacidade de dialogar com nossas sombras, de retirar as máscaras sufocantes da Persona e de nutrir a vitalidade psíquica. O processo de individuação é o caminho para deixar de ser um "rei doente" — refém de expectativas externas e sintomas internos — para se tornar o soberano de sua própria história. Na análise, trabalhamos para que você não precise mendigar por validação externa, mas encontre a riqueza inalienável de ser, integralmente, quem você é.

Me diga, como anda o seu palácio interno? Se hoje você fosse dar uma festa para diversas pessoas, quem poderia visitar o seu interno? Você se sentiria orgulho e contento em mostrar o que vem construindo de si ? Gostaria de mudar algo? Conte comigo para seu processo psicoterapêutico. Com carinho, Julian Navarro - Psicólogo Analítico Junguiano - CRP/06 172600


 
 
 

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